"...Um dia ouvi que eu era a pessoa mais
importante para alguém. Na época, aquilo era essencial para mim: ser
promovida pela reciprocidade. E o tempo, imperador dos destinos todos,
desgastou os mármores, mas manteve intacto aquele amor: ele
sobreviveu à relação finda. E eu perdera o meu alto cargo de
importância para aquele alguém. Convalescente, mas em recuperação da
suposta infelicidade de um ego magoado, tive que descobrir outra forma
de amor: uma espécie rara que dá perenidade ao bem-estar e põe o ego em
seu lugar. Eu me tornei a pessoa mais importante para mim. Quem poderia
me tomar isto? O tempo? Hoje, as pessoas vão e vêm. Recebo-as,
rejeito-as, tolero ou amo. A poesia não me tira os sentimentos vis, nem
as doçuras de um ser humano. Um dia me chamaram de radical. Aceitei: só
eu sei a importância que as coisas têm para mim e o propósito de
mantê-las ou não na minha vida. Em outra ocasião, me chamaram de
amorosa. Compreendi: pessoas amáveis extraem o que tenho de melhor. Já
me disseram que pareço um personagem. Entendi: sendo povoada por
tantas, quão imprevisível posso ser na liberdade que me permito ter. Não
me importo com o que julgam, sempre serei espelho e sempre terei o
Outro como meu espelho. Somos extensão. Estejamos ou não em harmonia ou
comunhão, dedico carinhosamente o meu tempo compartilhando minha nudez.
Aos que veem máscaras e vestes, sou impotente a estas leituras. Aos que
veem generosidade e amparo, sou impotente à beleza que me dão. Sou
impotente ao olhar alheio. Não tenho o controle de absolutamente nada,
mas o meu trabalho consiste em eu não me rejeitar..."
Diariamente eu fortaleço minha autoestima assim:
Hoje, nem que seja apenas hoje, eu sou a pessoa mais importante para mim.
Que assim eu esteja!
Que assim seja!
(Marla de Queiroz)
terça-feira, 29 de outubro de 2013
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